Em 1869, Masoch, então com 33 anos, conheceu Fanny de Pistor Bogdanoff, bela mulher, nobre como ele, e que acima de tudo o amava. Masoch lhe propõe um pacto redigido como contrato: durante seis meses ele será seu criado. Ela poderá fazer com ele o que bem entender. A única ressalva é que permita que ele continue a escrever seus romances durante três horas por dia.
O prazer de Masoch é obtido à custa do sofrimento. Fanny estranha a proposta, mas por amor aceita. O casal vai para a Itália em Nápoles para não serem reconhecidos, já que moravam na Áustria. Masoch vestia e comportava-se como um criado polonês, que acompanhava a princesa. Ambos adotam práticas sexuais pautadas pelo sofrimento físico (chicotadas e tapas no rosto) e moral (tratamento como escravo, ofensas e xingamentos). Masoch tinha um fetiche por peles e portanto, na história que vamos relatar, o personagem principal, que na realidade é o próprio Masoch, cujo nome ficcional é Severin, propõe um contrato para o personagem que representa Fanny, com o nome de Wanda, que prevê explicitamente o papel de cada um, ele no de escravo e ela como tirana, além da exigência de que a ela deveria cobrir-se de peles ao açoitá-lo. Mas como veremos, vai entrar em cena o ciúmes, já que a personagem Vanda tem liberdade para flertar com outros homens, quase que é obrigada a isso, já que no contrato ela dever humilhá-lo, castigá-lo, torná-lo um animal ou objeto e não consta sexo, desta forma, ela tenderá a buscar um homem para essa finalidade, mesmo amando-o, criando uma reflexão sobre esse tipo de relacionamento, os limites do amor e a pequena linha que separam o senhor do escravo.
Nos Estados Unidos tem um termo que traduz essa prática onde o homem tem prazer em ver sua amada tendo prazer com outro homem, mas não tem tradução no Brasil: Cuckold que faz referência ao "cuco" (cuckoo em inglês) - a ave dos relógios - cujo macho, na natureza, aceita e abriga em seu ninho uma fêmea promíscua. Assim, uma pessoa "cuckold" é aquela que gosta de imaginar, de saber ou de ver, o próprio companheiro tendo prazer com outra pessoa (ou pessoas). Pode ter origem em diferentes interesses passando pelo prazer no ciúme, submissão, humilhação, prazer e medo da traição.
Carlos Sacher